terça-feira, 4 de maio de 2010

Angola...e algumas riquezas suas!

Uns dias acontecem muitas coisas por cá! Outros dias tirando o sol que nasce e se põe à noite, pouco mais!
Desde o último reporte, que me mandaram os aviões para Luanda. Ainda estou à espera que chegue quinta feira. Disseram que regressavam na quinta feira, esqueceram-se foi de dizer de que mês ou ano. É coisa normal por cá.
Dá futebol todos os dias em pelo menos 3 canais, sempre dá para me ir mantendo actualizado das notícias importantes!
Os petiscos são uma boa vertente para ocupar o tempo (não podem é ser sempre, ou então, não há barriga que aguente).
Mais divertido que petiscar, é apanhar o petisco. Se procurarmos um bocadinho, encontra-se desde lapas, a quintetas ou mexilhões. Nada melhor que os mexilhões à bulhão pato, lapas grelhadas, uns enchidos e umas Cucas a regar. Uma meia horita ao pé da rocha, dá um meio balde de lapas. É só escolher as maiores, e deixar as outras crescer. Não se pode ser muito lambão!

Mas o que eu acho mesmo mais impressionante são as paisagens mais para o interior. Assim que saímos aqui do Lobito, começamos a subir para passar uma cordilheira de "montesinhos". Assim que a passamos, encotramo-nos numa planície enorme, com montanhas e montes a sair por todo o lado. Uma mistura de Alentejo com Covilhã. Particular da planície, é que se encontra a cerca de 1300 metros acima do nivel médio das águas do mar.
A vegetação é extremamente variada, desde capim, a um variadíssimo tipo de árvores de fruto.

Inúmeras plantas que nem me atrevo a tentar escrever o nome, se não desmanchava os dedos.
Mas o que importa mesmo dizer é que é muito verde.
Aqui há uma mistura perfeita de luz e de cor. Consegue-se ter uma noção diferente das diferenças do terreno, e sempre com uma excelente visibilidade. Luz quanto baste para ver todas essas diferenças, e isto reflecte-se nas fotos. Eu bem tento apanhar essas condições de luz, cor e profundidade, mas ver é sempre uma experiência diferente.


Imaginemos uma recta enorme no meio de uma planície que aparentemente não apresenta o mínimo traço de civilização. Entretanto olhamos para a berma, e encontramos pessoas a pé. É uma constante ao longo da estrada, pessoas a pé. Umas com cestos na cabeça, outros com sacos às costas. E surge-nos uma pergunta na cabeça: "Mas, como é que no meio deste "vazio" aparecem pessoas na beira da estrada e a pé?"
Uns metros à frente encontramos a resposta.
Há muitas aldeias típicas de cá por todo o lado. As aldeias que me refiro, são feitas de casas de barro e tecto de palha, mas super bem arranjadas, com as ruas em terra batida sempre varridas e com canteiros de flores. Essas aldeias são tão naturais que se confundem com o próprio ambiente, por isso é que nos é difícil ver de onde vem tanta gente.
É impressionante é o quão arranjadas e bem organizadas essas aldeias são. Até nomes de ruas têm.
A olhar para aldeia e de repente, vejo um porco do tamanho de hoje e de amanhã, e outro, e outro...uma família inteira de porcos grandes e com pêlo, a passear alegremente pelas ruas da aldeia. Ao lado um grupo de cabras, mais ao lado, galinhas, etc.
Mas, tudo em harmonia. Dão-se todos bem. É no mínimo curioso, mas natural. Parece que está tudo balanceado. Ao lado da aldeia, plantações de ananás, Jindungo, bananas, Ginguba(uma espécie de amendoim), etc.
No topo das "palhotas" claro, como é típico, uma antena parabólica para ver os jogos da bola, e ao lado a bela mota DELOP todo o terreno super turbo HFSI!
Metem-se nelas para todo o lado, carregadas com tudo, desde galinhas vivas até cana de açúcar, ou a família inteira.

Em seguida fomos visitar a Missão Católica da Ndjinga, que fica uns Km's após Monte Belo, mas tem que se sair da estrada principal e andar durante uma meia hora fora de estrada até lá chegar.

(Os meus agradecimentos ao Sr. Inácio, que trabalha aqui no Hotel, que sem as indicações dele, não teríamos tido este passeio)
Aqui apercebemo-nos de alguns dos efeitos da guerra. Aquilo que outrora foram edifícios de uma missão católica para acolhimento e educação de crianças, foi destruída e queimada, e feita de quartel das tropas. Só agora é que voltou a ter o fim para que foi criado, e conta com um Padre e cerca de oito crianças. Ficámos desde já amigos deles, e sempre que tivermos algumas roupas ou artigos que possamos ajudar, lá entregaremos.
Conhecemos também um senhor com 110 anos, que não nos revelou o segredo da sua longevidade, mas que continua com bom aspecto! Mas só de pensar o que se passou nestes ultimos 110 anos em Angola, devo dizer que já deve ter visto (e escapado) a muitas e muitas aventuras. Talvez desse para escrever um livro que tivesse mais sucesso que o Código de "Dá 20".













À saída da missão, ainda parámos para comprar ananás e  visitar o mercado de Monte Belo.
Conseguem vender de tudo num espaço tão pequeno. Vai desde peixe cru, a peixo frito, Jindungo, malaguetas, gado vivo, galinhas, etc. Tudo o que se puder vender, vende-se aqui!

Mais à frente há-que parar para comer e descansar um bocado. Parámos para comer umas sandes e beber umas cucas e uns sumos. Entretanto, como surgem sempre miúdos, não interessa onde se esteja e qual a hora do dia (ou da noite), vimos uns  a passar, e demos-lhe umas sandes e uns sumos. Eles ficaram todos contentes, contudo, alguns deles queriam abrir a tampa dos sumos Compal com os dentes. Não é todos os dias que se vê um sumo Compal e uma sandes mista por estas bandas, e como não vêm com livro de instruções, é bastante compreensível que assim aconteça. Tinhamos pouco para tantos miúdos, mas lá foram eles felizes nas suas bicicletas sem corrente e sem pneus, e com as rodas de diferentes tamanhos, com a barriga cheia de sumos e sandes! Soube bem a eles de certeza. (E a nós também).
(Tive um problema num cartão da máquina fotográfica, e perdi, com muita pena minha uma data de fotos que tinha tirado... por isso descrevo apenas, não dá para ver as bicicletas...)
Já com a barriga cheia e contentes por termos feito uma boa acção, fizémo-nos à estrada outra vez. Agora de regresso ao lobito. Mais uns kilómetros de estrada e de paisagem bonita, e eis que, um mercado ambulante aparece. Parar o carro, só se quisermos comprar alguma coisa. Fruta de todos os géneros e feitios a entrar pelas janelas do carro! Dá jeito ter uns Kwanzas à mão. Apesar do aparato, é tudo extremamente calmo e civilizado, e o negócio desenrola-se muito facilmente sempre com alegria e boa disposição. Se não quisermos comprar, ficam tristes mas não zangados! Um bocadinho diferente da baixa em certas situações.
Encostar a cabeça no assento e pensar nas horas que passaram, faz-me lembrar que, por mil anos que viva, este é um dos dias que não vou esquecer!

1 comentário:

LUZ VITORIOSA DE OXALÁ disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.