segunda-feira, 17 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Cântico Negro
Não significa nada nem tem conotações actuais, apenas nostalgia.
Cântico negro
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio, pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista "Presença", e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Angola...e algumas riquezas suas!
Mas o que eu acho mesmo mais impressionante são as paisagens mais para o interior. Assim que saímos aqui do Lobito, começamos a subir para passar uma cordilheira de "montesinhos". Assim que a passamos, encotramo-nos numa planície enorme, com montanhas e montes a sair por todo o lado. Uma mistura de Alentejo com Covilhã. Particular da planície, é que se encontra a cerca de 1300 metros acima do nivel médio das águas do mar.
Aqui apercebemo-nos de alguns dos efeitos da guerra. Aquilo que outrora foram edifícios de uma missão católica para acolhimento e educação de crianças, foi destruída e queimada, e feita de quartel das tropas. Só agora é que voltou a ter o fim para que foi criado, e conta com um Padre e cerca de oito crianças. Ficámos desde já amigos deles, e sempre que tivermos algumas roupas ou artigos que possamos ajudar, lá entregaremos.sábado, 17 de abril de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
Fotografias
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Largada de T-27 Tucano
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Angola
Este país tem um clima quente e húmido, que nos dificulta a respiração. Nota-se mais quando saímos do avião pela primeira vez, depois vai-se habituando (ou não). Parece que o ar pesa mais três kg por cm2 aqui do que em Portugal, logo exige mais esforço até para respirar. Começa bem, pois se já o respirar cansa, todas as outras tarefas também. Ainda bem que o Sr.Willis Carrier inventou o ar Condicionado. Temos muito a agradecer a este senhor, adivinhem, até nasceu em Angola e tudo...mas no estado de New York. (sui generis no mínimo).
Ao contrário de todas as minhas expectativas sobre o Aeroporto de Luanda (Aeroporto 4 de Fevereiro), criadas com base nos reportes antecedentes, dei comigo num terminal novo, arejado e organizado, não muito grande (para o país que é, estava à espera de maior) mas faz as honras. O desembarque decorreu sem percalços. Acho que esperei bastante pela bagagem, mas não estranhei. Devo agradecer este facto à GroundForce que já nos foi habituando a esperar por tempo indeterminado pela bagagem. Obrigado GroundForce!
Depois de sair do Aeroporto estava à espera de me embrenhar no trânsito de Luanda, que é uma coisa deveras alucinante. Todas as regras que aprendi sobre o trânsito,estavam prestes a ser violadas por todos os lados que se olhe à volta do nosso vulnerável veículo. Um mar de carrinhas azuis e brancas, maioritariamente Toyotas Hiace, rodopiando loucamente como uma manada de Gnus à procura do caminho para a outra margem. No meio dessas Hiace, vão se encontrando os Jipes do mais caro que há, mas não menos infractores que as Hiace.
Contudo tive sorte (ou azar), era Domingo de manhã, e não vi nada disto. Vi avenidas vazias, livres de carros e de pessoas mas cheias de papeis e sabe-se lá mais o quê nas bermas. Este facto vai gradualmente sendo ignorado com a adaptação ao local, e uns tempos mais tarde já nem damos por ele.
Consegui chegar ao NAT (um agradecimento a todos os elementos do NAT pelo apoio à chegada), onde me aguardava um quarto de hotel com Ar Condicionado e o pequeno almoço à mesa.
Tinha que recarregar as baterias, pois no dia seguinte ia ter mais aeroportos e trânsito pela frente, pensava eu...
Na segunda feira, pelas 13h estava a ir para o aeroporto. Neste dia sim, consegui ver o transito de Luanda, tal qual como o imaginava. É verdadeiramente o CAOS. Se gostam de conduzir, não venham para Luanda!
Pondo algumas coisinhas de parte, Luanda é uma cidade bonita, e faz-nos pensar o quão agradável seria, se estivesse arranjada e com o numero certo de pessoas. Uma cidade que está planeada para cerca de 350 000 habitantes, em 2008 contavam-se cerca de 2,5 milhões mas crê-se que tem uns 6 ou 7 milhões...repartidos pelo centro e os "Musseques" dos arredores imaginem.
A avenida Principal (Av. 4 de Fevereiro) e a sua baía, são o seu ex libris ou cartão de visita, contudo, dado ao estado de degradação, é inevitável não ter um constante pensamento na cabeça, à medida que se percorrem as ruas de Luanda : "...isto há uns anos é que era!..." (Devo confessar que este pensamento ainda aqui no Lobito me persegue).
Chegado ao aeroporto para embarcar, tive que voltar para trás, pois o avião já tinha partido para a Catumbela...coisas da vida, em Angola. Agora só partiria para a Catumbela na Quarta-Feira. Dessa vez sim, concretizou-se.
O voo decorreu sem incidentes (desta vez), no Boeing 737-200 da TAAG ( já tinha saudades de andar num 737-200). Acho que vim a dormir a viagem toda, pois tinha acordado as 5:30 e mesmo que se descanse muito, acho que quando se acorda a esta hora é para se ter o sono o dia todo.

Na Catumbela, já estavam à minha espera o Sr. Tcor Gonçalves e o Ten Marchão (Scout).
Vim substituir o camarada Marchão que termina no final desta semana a sua missão aqui. Obrigado pelos e-mails e pelos conselhos foram mais do que úteis e facilitaram imenso a minha chegada aqui.
Fui extremamente bem recebido aqui no Lobito. Muito obrigado à excelente equipa que cá está.
Estou instalado no ”Hotel Navegante" no Lobito. Tem boas condições, as pessoas são muito simpáticas e come-se bem.
O Lobito é uma cidade e um município da província de Benguela, em Angola, outrora o porto mais importante de Angola. Era pelo Lobito que entrava e saía a mercadoria de importação e exportação de Angola. Ainda hoje o porto é o seu ponto mais importante.
Outro elemente de destaque do Lobito é a sua famosa Restinga (baixio ou banco de areia, península, quebra mar). Podemos encontrar de tudo na Restinga, desde lojas de retalho a bares e restaurantes, hotéis, chineses, clínicas, etc.
Para nós o mais importante é a praia. É lá que são passadas as horas vagas. A praia que costumamos ir é a praia que fica na parte de trás do Hotel Terminus. Chama-se assim porque fica no fim da linha de combio. Faz lembrar a praia turística dos postais com palmeiras e uma cabana para venda de caipirnhas e “Cucas”. Bons momentos se passam na praia. Há também uma rede de volei para os interessados no desporto.
Para já entre os Livros do Tucano, manual de contacto e procedimentos locais, vou fazendo um pouco de praia.
Dos bares que já esive, recomendo o Zulu, com um ambiente muito agradável à beira mar.
Para já é o que tenho para contar.
Abraço a todos!
Vejam mais fotos aqui
http://picasaweb.google.pt/t.goulart/Lobito?authkey=Gv1sRgCLvdnPnJqsuQRQ
http://picasaweb.google.pt/t.goulart/Luanda?authkey=Gv1sRgCOSu6-igjJ_FlQE









